terça-feira, outubro 20, 2009

A Abertura do Mar Vermelho



Foto:Ricardo Stuckert
A mídia brasileira já mostra sinais de que não tem apenas vocação golpista, também demonstra sinais de que está desesperada. Creio que seja o crescimento da popularidade do presidente Lula, associada ao crescente número de blogs e sites de jornalistas comprometidos com a verdade factual, e a iminente derrota nas eleições de 2010, que tem acirrado os ânimos caluniadores e preconceituosos contra Lula. Recentemente, durante as visitas às obras de transposição do Rio São Francisco, percebemos que este caráter (não tem nada a ver com ética,coisa que a mídia despreza) jocoso e de falsa denúncia aflorou com mais força. Quiseram transformar a visita da comitiva governante às obras do "Velho Chico" em campanha política e esqueçaram que, além do prazer de ver o sertão próximo de virar mar, (farto de água, faustoso pra quem sempre sofreu por falta dela), o nordestino Lula e companheiros foram in loco comprovar que é tangível o sonho profetizado. A foto que mostra o presidente Lula caminhando por um canal largo me remeteu à figura de Moisés na lenda bíblica que narra a abertura do Mar Vermelho, transformando, assim, uma criação do inconsciente coletivo (a chegada à terra prometida) em realidade. Sei que é difícil para a oposição, alinhada à midia oligárquica , suportar o crescimento da economia do país, a inclusão social, o respeito que o país ganhou na comunidade internacional, além da auto-estima do povo, esse mito da burguesia, como dizia Glauber Rocha. Esse mito que ganhou corpo e hoje festeja a fertilidade que rega o presente, alimentando o futuro. Com o presidente Lula deixamos de ser o país do futuro e passamos a viver o presente, certos que o mundo mudou e o Brasil também. Tem gente que não gosta disso,mas pouco importa. O povo se reconhece no presidente que tem.

José Saramago e as religiões


Foto:AP
O escritor português e Nobel de literatura acaba de lançar seu mais novo livro, cujo título é "Caim". O ateu Saramago tem, nessa sua mais recente obra, a Bíblia e suas histórias como fonte de inspiração, manancial que ele já tinha percorrido desde "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". Com "Caim", o Nobel de literatura continua dessacralizando o livro sagrado, e causa ira nos religiosos. A Igreja Católica já se pronunciou chamando de "jogada publicitária" o livro. Como se Saramago precisasse disso. Há pouco tempo a Igreja Católica teria pedido a proibição do livro do escritor, hoje ela já compreendeu que fazer isso é açodar a curiosidade dos leitores, o que só ajudaria a divulgar a obra. Os tempos também são outros, ela sabe muito bem disso. Os tempos autoritários já se distanciam. Engraçado que eu sempre considerei a Bíblia um livro de auto-ajuda, por isso ela não consta no rol das minhas leituras, mas agora Saramago me abriu mais ainda a cabeça, me mostrando que é um livro de auto-mau-ajuda. Vou correndo comprar "Caim".

sábado, outubro 17, 2009

O Glorioso e legítimo MST

O Turbina de Ideias existe há tres anos. Durante todo esse tempo tenho evitado postar textos escritos por outras pessoas. Até hoje só um escrito, não por mim produzido tinha sido publicado, hoje somam dois. O texto que copiei e que aqui hoje reproduzo foi originariamente publicado no Jornal do Brasil, de autoria de Mauro Santayana, um dos poucos jornalistas que merecem respeito neste país, é de uma lucidez e isenção que nao pude resistir.Por tratar da criminalização do MST por parte da grande imprensa, (uma das coisas que mais me tira do sério neste país), fiz questão de reproduzi-lo. Aqui está ele pra reflexão


A CPI do MST E AS TERRAS ROUBADAS


Por Mauro Santayana

A terra é o mais grave problema de nossa história social, desde que os reis de Portugal retalharam a geografia do país, com a concessão de sesmarias aos fidalgos. Os pobres não tiveram acesso pleno e legal à terra, a não ser nos 28 anos entre a independência – quando foi abolido o regime das sesmarias – e 1850, quando os grandes proprietários impuseram a Lei de Terras, pela qual as glebas devolutas só podiam ser adquiridas do Estado a dinheiro.

A legislação atual vem sendo sabotada desde que foi aprovado o Estatuto da Terra. É fácil condenar a violência cometida, em episódios isolados, e alguns muito suspeitos, pelos militantes do MST. Difícil tem sido a punição dos que matam seus pequenos líderes e os que os defendem. Nos últimos anos, segundo o MST, mais de 1.600 trabalhadores rurais foram assassinados e apenas 80 mandantes e executores chegaram aos tribunais. Em lugar de uma CPI para investigar as atividades daquele movimento, seria melhor para a sociedade nacional que se discutisse, a fundo, a questão agrária no Brasil.

O Censo de 2006, citado pelo MST, revela que 15 mil proprietários detêm 98 milhões de hectares, e 1% deles controla 46% das terras cultiváveis. Muitas dessas glebas foram griladas. Temos um caso atualíssimo, o do Pontal do Paranapanema, onde terras da União estão ocupadas ilegalmente por uma das maiores empresas cultivadoras de cítricos do Brasil. O Incra está em luta, na Justiça, a fim de recuperar a sua posse. O que ocorre ali, ocorre em todo o país, com a cumplicidade, remunerada pelo suborno, de tabeliães e de políticos.

Cinco séculos antes de Cristo, os legisladores já se preocupavam com a questão social e sua relação com a posse da terra. É conhecida a reforma empreendida por Sólon, o grande legislador, na Grécia, que, com firmeza, mandou quebrar os horoi, ou marcas delimitadoras das glebas dos oligarcas. Mais ou menos na mesma época, em 486, a.C., Spurio Cássio, um nobre romano, fez aprovar sua lei agrária, que mandava medir as glebas de domínio público e separar parte para o Tesouro do Estado e parte para ser distribuída aos pobres. Imediatamente os nobres se sublevaram como um só homem, e até mesmo os plebeus enriquecidos (ou seja a alienada classe média daquele tempo) a eles se somaram. Spurio Cássio, como conta Theodor Mommsen em sua História de Roma, foi levado à morte. “A sua lei foi sepultada com ele, mas o seu espectro, a partir de então, arrostava incessantemente a memória dos ricos, e, sem descanso, surgia contra eles, até que, pela continuada luta, a República se desfez” – conclui Mommsen. E com razão: a última e mais completa lei agrária romana foi a dos irmãos Graco, Tibério e Caio, ambos mortos pelos aristocratas descontentes com sua ação em favor dos pobres. Assim, a República se foi dissolvendo nas guerras sociais, até que Augusto a liquidou, ao se fazer imperador, e seus sucessores conduziram a decadência da grande experiência histórica.

Não há democracia sem que haja reforma agrária. A posse familiar da terra – e da casa, na situação urbana – é o primeiro ato de cidadania, ou seja, de soberania. Essa posse vincula o homem e sua família à terra, à natureza e à vida. Sem lar, sem uma parcela de terra na qual seja relativamente senhor, o homem é desgarrado, nômade sem lugar nas sociedades sedentárias.

É impossível ao MST estabelecer critérios rígidos de ação, tendo em vista a diversidade regional e a situação de luta, caso a caso. Outro ponto fraco é a natural permeabilidade aos agentes provocadores e infiltrados da repressão particular, ou da polícia submetida ao poder econômico local. No caso do Pontal do Paranapanema são muitas as suspeitas de que tenham agido provocadores. É improvável que os invasores tenham chamado a imprensa a fim de documentar a derrubada das laranjeiras – sabendo-se que isso colocaria a opinião pública contra o movimento. Repete-se, de certa forma, o que houve, há meses, no Pará, em uma propriedade do banqueiro Daniel Dantas.

É necessária a criação de força-tarefa, composta de membros do Ministério Público e agentes da Polícia Federal que promova, em todo o país, devassa nos cartórios e anule escrituras fraudulentas. No Maranhão, quiseram vender à Vale do Rio Doce (então estatal), extensas glebas. A escritura estava registrada em 1890, em livro redigido e assinado com caneta esferográfica – inventada depois de 1940.


Publicado no Jornal do Brasil de 14/10/2009.

domingo, outubro 04, 2009

A voz da América Latina


Foto:AFP
A cantora Mercedes Sosa, argentina de nascimento,mas planetária no sentimento libertário, morreu. Mercedes cantava os anseios de liberdade que fôra amputada pelos golpes militares, que aconteciam em sequência, mas que ardia em vários peitos que acalentavam os sentimentos de libertad. Tive o prazer de ver por diversas vezes aquela mulher de traços índigenas com o seu tambor no palco do Teatro Castro Alves gritando as mais belas canções que enalteciam os mais nobres valores humanos.Vai deixar saudades, sentiremos falta da sua presença física, embora sua voz nunca morrerá. Augusto Pinochet, Garrastazu Médice, Ernesto Geisel, Golbery do Couto e Silva, Alfredo Strossner, entre outros ditadores, estão todos mortos, e ninguém sente falta, exceto algumas vivandeiras de quartel e as classes dominantes. No entanto, Mercedes Sosa estará sempre presente, ecoandoo o rufar dos tambores e sua voz densa em nossos corações.Ouçam Gracias a la vida com a Voz da América Latina.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Olimpíadas 2016-Lula é medalha de ouro!


O Rio de Janeiro continua lindo, o Rio de Janeiro continua sendo... Pois é, o apedeuta, como os invejosos chamam o nosso ex-operário e atual presidente, conseguiu mais uma vitória: trouxe as olímpiadas de 2016 para a cidade mais linda do mundo. Pela primeira vez uma olípiada será realizada em um país sul-americano, exatamente quando a América do Sul entra definitivamente no rol das regiões independentes, em parte graças a liderança do presidente mais popular do planeta. Tem gente querendo se matar. Tem gente, especialmente os paulistas que se consideram elite, desesperada com a estrela do PT,ops, do Lula. Depois de ter dado abrigo a um presidente deposto por um golpe de Estado e o mundo todo aplaudir, menos a imprensa golpista brasileira, Lula brilha de novo.Qual será a próxima conquista de Lula? Ganha uma passagem pro Rio de Janeiro quem acertar. Coitada da Globo.Ela que fica o tempo todo querendo mostrar que o Rio de Janeiro só tem bandido. Agora vai ter que engolir esta.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Lamarca, um herói nacional



No dia 17 de setembro de 1971, o exército brasileiro encontrou o Capitão Carlos Lamarca e seu companheiro de luta, Zequinha Barreto, em Pintada, município de Ipupiara. Segundo relatos de moradores da localidade, Lamarca podia "ser apanhado como um passarinho", de tão fraco e doente que estava. O Capitão Carlos Lamarca resolveu entrar para o outro lado quando percebeu que o exército traía tudo aquilo que tinha ensinado e ele, O Capitão, percebeu que a defesa da soberania nacional fôra negligenciada em nome de interesses externos. Não foi pra isso que o Capitão tinha entrado no exército. Junto com alguns companheiros, Lamarca chegou no quartel de Quitaúna e de lá saiu, em uma ação espetacular, com um caminhão carregado de fuzis e explosivos. Foi o bastante para virar, junto com o outro carlos, o Marighela, inimigos´número um da ditadura dos generais testas de ferro. Pois bem, pra encurtar, no dia 17 deste uma caravana foi até o local da morte de Lamarca e Zequinha e lá fizeram homenagens aos heróis. Uma cruz foi colocada no local que agora vai virar santuário. No dia 18 houve um grande evento em Brotas de Macaúbas com as presenças do Ministro Franklin Martins, o ex-governador Waldir Pires, deputados, prefeitos e secretários de Estado. A história está sendo resgatada, e eu estava lá. Acima algumas fotos do resgate. Olderico Barreto,que foi ferido na ação e depois preso e cruelmente torturado,dá detalhes, ao pé da cruz, do massacre. Quem quiser saber mais desse herói brasileiro, o livro "Lamarca, o Capitão da Guerrilha" de Emiliano José e oldack Miranda é um ótimo documento.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Lula é o cara!


O presidente Lula fez um discurso na abertura da 64 Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas, onde chamou de anacrônico o embargo econômico contra Cuba e condenou veementemente o golpe militar que depôs o presidente de Honduras, Manuel Zelaya. Aplaudido por todos os presentes, o presidente mais popular do mundo deu uma lição de política, indicando novos caminhos para que a ONU venha a ser respeitada e ganhe autonomia política e moral. Quem quiser ver e ouvir "O Cara" vá ao blog do Planalto. Lá está a fala na íntegra.

terça-feira, setembro 22, 2009

Zelaya volta triunfante


Foto:AE
O legítimo presidente de Honduras, Manuel zelaya, voltou ao país para ocupar o cargo para o qual o povo hondurenho lhe elegeu. Abrigado na embaixada brasileira, Zelaya espera que os golpistas aceitem a legitimidade do seu mandato e recuem. O mundo todo está na expectativa de que as forças armadas cumpram seu papel constitucional, que é servir aos interesses da nação. O presidente foi deposto por uma ação das classes dominantes daquele país, usando as forças armadas como cães de guarda, em uma ação que viola todos os direitos estabelecidos em todas as cartas magnas. Interromper um mandato outorgado pelo povo é algo tão abominável quanto a tortura. O povo é soberano na escolha dos seus representante e qualquer quebra desta ordem deve sofrer condenação mundial. E isto, felizmente, está acontecendo. Daí o acolhimento da embaixada brasileira ao presidente.
Manuel Zelaya é um rico proprietário de terras em Honduras. Seu governo, como tantos outros na América Latina, deu uma guinada na política interna e elegeu O povo como destinatário das mudanças sociais que urgem em aplicação.Este foi o motivo que levou as classes dominantes recorrerem às forças armadas daquele país prara prender e exilar Zelaýa. Os meios de comunicação do pequeno país da América central foram cúmplices da quartelada,da mesma maneira que são quando o assunto são avanços sociais. jornalistas a soldo de interesses escusos chamam estes dirigentes de populistas, tentando desqualificá-los. O presidente da Venezuela, Hugo Chavéz é uma das vítimas mais frequentes desses vassalos. Contra Chavéz todas as acusações, principalmente a de que ele está armando o país para fazer guerra. Estranho que o presidente da Colômbia,Álvaro Uribe, se arma com um poder bélico muito mais potente e, o que é mais grave, com armas de outro país e nada é dito pela imprensa que é diligente no que tange a criticar Chavéz. As bases militares que os Estados Unidos da América estão montando na Colômbia são ameaças a toda a região. Precisamos estar alertas contra as quebras constitucionais, como é no caso da deposição de Zelaya, como também devemos estar atentos e nos posicionarmos contra os interesses implícitos que são as razões que motivam as instalações dessas bases norte-americanas no nosso continente.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Midiatrix- Rede Globo-Veja etc..


Assista e veja o que a grande mídia faz com o seu cérebro. Se é que você tem um.

sábado, setembro 12, 2009

Tempo Glauber Rocha


Durante muito tempo D. Lúcia Rocha, mãe do genial cineasta baiano,nascido em Vitória da Conquista, Glauber Rocha, lutou para trazer o acervo do filho para a Bahia. Forças do atraso que dominavam esta terra sempre se opuseram a isto, criando obstáculos, ou virando as costas para o projeto. Tinham sórdidas razões para assim agirem. Glauber sempre foi o nosso mais fiel tradutor das misérias brasileiras, sobretudo as nordestinas. É claro que os coronéis que dominavam este cenário desejavam vê-lo longe daqui, mesmo depois de morto. E assim o mais prolífico e invejado cineasta brasileiro morreu longe de sua terra, por ironia do destino, em Sintra, Portugal,terra dos nossos colonizadores, ele que tanto bradava contra a colonização, especialmente a neo-colonização dos Estados Unidos da América.
Glauber falava, ouvia e via nossas dores mais profundas, nossas misérias culturais, nossos políticos corruptos e, mais vergonhoso, a vanguarda intelectual colonizada pela ideologia norte-americana. Berrava contra o domínio, a invasão cultural que penetra via os lixos hollywoodianos, que ainda dominam o mercado brasileiro, principalmente o cinematogáfico.Glauber profetizou muita coisa, e, como todo profeta que não é ouvido em sua própria terra, teve que viver o desterro que o fazia sofrer, apesar dos louros profissionais conquistados no exterior.
Filmes
O nosso Glauber traduziu os sentimentos, sofrimentos do brasileiro, denunciando as forças dominadoras. Em "Deus e o diabo na Terra do Sol", Glauber revelou os domínios do povo, perdido entre o canganço e o Santo, que através de suas práticas propõem a redenção. A questão agrária, a expulsão do homem da terra, o plot de Deus e o diabo é de novo explorado em "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro". Antonio da Mortes, genial personagem por ele criado, é um matador de cançaceiro. A serviço do latifundio, sai caçando os bravos homens do cangaço, cumprindo seu papel de sicário dos latifundiários. Mas, Antonio das Mortes, numa crise de consciência, para e pensa na estupidez qu é matar pobres sem terras e decide passar para o outro lado. E aí.. Bem, esses são apenas dos dos mais importantes filmes desse homem que, segundo Darcy ribeiro, morreu de uma doença chamada Brasil. Acima coloquei o link do Tempo Glauber. Visitem e conheçam mais o genial baiano.Vale a pena também ler "Cartas para o Mundo", livro que é uma compilação de toda a correspondência que Glauber trocava com os amigos, organizada por Ivana Bentes. Em uma dessas cartas, Glauber fala que Arnaldo Jabor é um péssimo cineasta, que só faz filmes pornô-chiques. O comentarista da Rede Globo,ao tomar conhecimento do conteúdo da missiva, tentou se defender, mas só revelou que é um cineasta frustrado. Além desse excelente documento, vale a pena também ler a melhor biografia de Glauber, que foi escrita pelo jornalista e amigo João Carlos Teixeira Gomes, cujo título "Glauber esse vulcão" já, por sí só, faz uma justa homenagem ao cineasta.Joca, como é conhecido o biografo, também é autor do maravilhoso "Memórias das Trevas".

Frases geniais de Glauber:

A televisão é escrava da publicidade e da audiência de um público deformado.
O principal problema da luta anticolonialista é a destruição do complexo de inferioridade nacional.
Do ponto de vista cultural, a Bahia é uma das regiões mais desenvolvidas do mundo. Quem mora aqui e não sabe disto é uma besta (...). E vai ficar eternamente babando vatapá na gravata.
Mais fortes são os poderes do povo!
A história é feita pelo povo e escrita pelo poder.

sábado, setembro 05, 2009

"O Tombo" de José Serra


Assistam o vídeo e deliciem-se com o desespero da direita brasileira.O vídeo foi originalmente postado em www.joelbueno.blog.uol.com.br

domingo, agosto 16, 2009

Câmara de Vereadores comemora os 50 anos da Revolução cubana







Uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Salvador sexta-feira, (14), comemorou os 50 anos da Revolução cubana. A sessão foi uma iniciativa da combativa vereadora Marta Rodrigues, PT-Bahia. Durante o evento vários discursos saudaram a heróica revolução que foi protagonizada por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos e o povo cubano, que livrou Cuba da tirania de Fulgêncio Batista. Entre os que prestaram homenagens à revolução estavam Jonas Paulo, presidente Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), a vereadora Marta Rodrigues, o professor de história comtemporânea da UFBa, Muniz Ferreira, representantes da Fundação José Martí e o representante da Embaixada de Cuba no Brasil, Sérgio Rodriguez. O objetivo da sessão foi o de refletir sobre a importância da Revolução cubana como fonte de resistência ao capitalismo na América Latina e para a afirmação das ideias socialistas. A revolução cubana veio pra mostrar que um outro mundo é possível, sem a exploração do homem pelo homem, exaltando valores humanos como a solidariedade. Convidado pela vereadora Marta Rodrigues, o repórter fotográfico Alberto Coutinho expôs 20 fotos feitas durante uma viagem que o mesmo fez pra Havana em Abril último. Breve uma nova exposição mostrando as semelhanças entre o povo cubano e os baianos será aberta com o apoio da vereadora Marta. Aguardem. Acima, a vereadora e o representante da embaixada cortam o bolo ornamentado com a bandeira de Cuba. E duas fotos feitas em Havana, e que foram expostas durante o evento na Câmara de Vereadores.

Danuza Leão, eu tenho medo é de burrice e mesquinhez!


Eu não sei quem é o gost-writer da "colunista" Danuza Leão, que escreve no Folha de São Paulo e tem seus textos publicados em outros jornais. Da inteligência de Danuza, todos sabem que uma ameba consegue superá-la. Mulher bonita nos anos sessentas, a hoje caquética Danuza protagonizou cenas emblemáticas da falta de inteligência miníma para um ser humano. No set de filmagens de Terra em Transe, Glauber Rocha quase enfarta diante da inépcia da "atriz" em decorar um texto mínimo. Vendo que seria tirar leite de pedras, Glauber mandou que ela ficasse dando voltas durante uma das cenas mais fortes do filme. Virou vaca de presépio. Neste domingo, Danuza, que foi casada com um dos maiores jornalista brasileiro, Samuel Wainer, (Samuel encantou-se com sua beleza) escreveu em seu artigo semanal, imitando outra anta, Regina Duarte, que disse que tinha medo de Lula, em que reprisa falando que tem medo de Dilma. Tenta pintar um quadro de terror, o mesmo que foi dirigido à Regina, retratando a ministra e candidata pelo PT à presidência, como uma ditadora. Percebe-se que, além da imitação insossa de uma idéia que não vingou, o desespero da imprensa burguesa com a continuidade de um governo popular, que vem melhorando todos os indíces sociais, (défictis acumulados em séculos de políticas negadoras do essencial para o povo), é patético. Dilma assusta a burguesia porque é dotada de uma consciência política própria de grandes estadistas, que compreendem que sem o povo não existe nação. Ao contrário das classes dominantes brasileira, que sempre excluiu o povo das decisões políticas, Lula e Dilma são oriundos de classe social e legado político de lutas e vitórias. Não sei porquê eu lí esse texto, já que sou bastante seletivo em minhas leituras.. Ah, me lembrei! foi só por causa do título: Quem tem medo da doutora Dilma? resposta: as classes dominantes e, por extensão, a imprensa que reproduz todos os seus medos e preconceitos. Já eu tenho é muito medo da burrice e da mesquinhez desse povo que sempre viveu na Casa-Grande e acha que ao povo só resta a senzala. Mas, vamos firme em direção à vitória.

sábado, agosto 08, 2009

Culturas

Quem já não ouviu alguém no meio de uma discussão gritar para seu interlocutor de que este não tem cultura. Na tentativa de desqualificar o oponente no diálogo, está enraizado um erro, às vezes má-fé, e uma confusão do que vem a ser cultura. Vejamos o que diz o dicionário: ação ou modo de cultivar. Plantação. Desenvolvimento intelectual. Antropologicamente falando: Conjunto de experiências e realizações humanas (costumes, crenças, instituições, produções artísticas e intelectuais) que caracterizam uma sociedade. Conjunto de conhecimentos adquiridos numa determinada área de atividade etc...etc.. Portanto, só aí, para não nos estendermos mais, temos esta quantidade variada de definições do que é cultura. Antonio Gramsci desmistificou o conceito do intelectual como uma camada de privilegiados mentais, ao dizer que todos os homens são intelectuais, o que os diferencia é que uns vivem do intelecto, enquanto outro, não. Com a cultura podemos aplicar o mesmo principio: todos os homens têm cultura, o que os diferencia é o grau ou a natureza dessa cultura.
Portanto, dito isto, chegamos a conclusão que as diferentes formas de cultura, que ao longo da história humana têm sido produzidas, têm adquirido status relativo à sociedade que a produziu. Para citarmos um exemplo bem doméstico, aqui na Bahia até pouco tempo atrás o candomblé, a capoeira, entre outras manifestações culturais de matriz africana eram tidas como cultura inferior. Perguntamos: quem media esse valor, qual escala de valor usava e, conseqüentemente, quem determinava que ela devia ser ou não perseguida? Resposta? A cultura dominante. Eram as produções artísticas e culturais das classes dominantes que valorizavam seus produtos e , por conseguinte, desvalorizavam a cultura produzida pelos afro-brasileiros, considerados inferiores.

Sarney e cia.

Eu nunca fui defensor nem fã de José Sarney, como também nunca o considerei um político no sentido clássico da palavra. O coronel maranhense sempre foi um oportunista do mesmo calibre de ACM e outros, possuídos pelo mesmo espírito patrimonialista, e que surgiram na segunda metade do século XX no Brasil. Atentos à liturgia do puxa-saquismo, esses senhores, filhotes da ditadura (saudoso Brizola!), souberam trilhar o caminho já batido da prática mais nefasta que compõem a nossa história política: clientelismo, mandonismo,apadrinhamento, nepotismo entre outros defeitos públicos, que tornaram-se marca registrada desses homens privados. O gosto pelo poder nesses senhores é uma derivação do espiríto patrimonialista que é sinal indelével em seus caráteres. Digo tudo isto para alertar mais uma vez contra a sanha golpista dos que hoje acusam o senador pelo Amapá, querendo vê-lo defenestrado do cargo que ocupa no senado. Sarney nunca foi santo, mas hoje é aliado de lula. Eis o seu pecado. É só dar uma olhada na biografia dos seus acusadores para perceber que todas essas vestais ( atirem a primeira pedra) são uns santarrões que envergonham a vida pública brasileira. E a mídia golpista, que nunca aceitou o fato de um ex-operário ser presidente, só faz repercutir todas as tramas, que na maioria das vezes ela própria é mais do que parceira, é´, sobretudo, criadora de fatos que só prestam ao papel nefando de criar crises institucionais.

domingo, julho 12, 2009

Papel de embrulhar peixe

Diariamente lemos ou ouvimos previsões acerca do futuro do jornalismo impresso. Com o surgimento da internet, com o nascimento de blogs e sites independentes, a crítica acentuada sobre a liberdade de imprensa, ou mais precisamente, a quem os jornais servem, quem são seus aliados, se os interesses corporativos, políticos, ou o compromisso com a verdade factual, e o que o porvir reserva aos jornais, têm se intensificado. O certo é que análises abundam. Algumas se valendo do mesmo expediente de manipulação da opinião pública. Analistas comprometidos com o modelo de jornalismo dominante fazem previsões em que insidiosamente criam exercícios de “futurologia” engendrados por interesses dominantes. Alguns jornais já mudaram seu formato. Adaptaram-se ao gosto popular com textos curtos, muita imagem e os mesmos interesses massificados colocados em destaque. As primeiras e últimas páginas sempre trazem matérias sensacionalistas e de interesse popular, como o futebol e assuntos diretamente ligados ao mundo do crime, e farto material em que a criminalização da pobreza é matéria predominante. Estes estão apenas se beneficiando de um formato que já é o modelo digitalizado, e logo será renegado na forma impressa.

Inclusão digital

Com a popularização do jornalismo digital, fruto da inclusão , a tendência é que os jornais impressos sejam obrigados a mudarem o conteúdo, uma vez que sobreviverá o interesse mais elaborado pelo leitor acostumado ao livro, à analise mais crítica, mesmo que algumas não toquem em preconceitos, dando ao leitor conservador a ilusão de que está se informando. Vemos que, sem nenhuma necessidade de exercícios futurólogos, os lares irão dispor de computadores como hoje dispõem de televisores, aí estará o modelo de jornal impresso que hoje é vendido em bancas, com uma vantagem adcional, a interatividade. Portanto, democratizado o acesso, os jornais terão que se reciclar, aí, então, desaparecerá o jornal que hoje só serve para embrulhar peixe no dia seguinte.

terça-feira, julho 07, 2009

Resistência ao golpe em Honduras


Calados pela censura, hondurenhos usam internet para fazer oposição ao golpe
TEGUCIGALPA, Honduras (AFP) — Com vídeos e imagens feitas com telefones celulares, jovens hondurenhos contrários ao golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya criaram na internet o'tele-golpe', para divulgar as marchas e protestos que a televisão de seu país, submetida ao controle estatal, não pode transmitir.
"Nós os chamamos de 'tele-golpe', porque nos canais nacionais não é possível ver a realidade do que está acontecendo. Claro, se chegarem a cortar (o serviço) a banda larga na internet estamos mortos", explicou César Silva, estudante de engenharia.
Segundo Silva, 26 vídeos já foram disponibilizados no YouTube até agora, mostrando as marchas e declarações dos dirigentes que se opõem à queda de Zelaya, expulso do país no dia 28 de junho pelos militares.
"Sem dúvida, de todos os 26, o maior sucesso e o que mais procuram é o chamado 'Não está acontecendo nada em Honduras'", disse o estudante. O vídeo está disponível no link http://www.youtube.com/watch?v=OCzkJf2vVnU, mas Silva diz que a filmagem também foi "colocada em servidores da internet para evitar que seja cortada".
Nos primeiros dias depois do golpe, os militares cortaram várias rádios populares como a Rádio Progresso e a Rádio Globo, e os canais nacionais de TV precisam dar espaço várias vezes por dia a uma cadeia nacional, que transmite a informação oficial.
Além disso, os serviços de TV a cabo não possuem o canal Telesur - que transmite da Venezuela -, e até a rede americana CNN foi cortada nas primeiras horas após o golpe.
No sábado, quando boa parte da população assistia à partida de futebol entre Honduras e Haiti pela Copa Ouro, nos Estados Unidos, os canais foram obrigados a interromper a transmissão para divulgar uma mensagem de sacerdotes da Igreja católica nacional afirmando que o que aconteceu no país não deve ser classificado como um golpe de Estado.
A iniciativa de divulgar as imagens na internet surgiu de um grupo de estudantes de diferentes cursos das universidades de Tegucigalpa. "Estávamos fartos de ver que pela televisão só trasmitem a voz daqueles que apóiam o golpe", disse Adriana Alvarado, estudante de jornalismo.
"Estamos divulgando o endereço do site no boca-a-boca e com panfletos, que distribuímos nas manifestações, e ainda que em Honduras a maioria da população não tenha acesso à internet, estamos fazendo isso para que o mundo veja", destacou.

domingo, julho 05, 2009

Golpe de Estado em Honduras- No pasarán

Desde domingo, 28-05, quando os militares hondurenhos promoveram uma quartelada, fruto da inspiração da direita daquele país, que a minha indignação vem sendo contida por minha ciscunspecção diante do fato. Hoje não deu mais pra segurar. Ela explodiu e eu tenho que falar. Mais uma vez as forças dominantes e reacionárias ressurgem no continente tentado barrar o avanço de um governo popular, aliado das forças progressistas e nacionalistas que hoje dominam o cenário latino americano. Zelaya foi deposto por um golpe de Estado, sequestrado, posto em um avião e mandado para a Costa Rica. Tudo isso aconteceu por conta da iminência da vitória no plebiscito que seria realizado para aprovar mudanças constitucionais, que dariam direito ao presidente disputar outra eleição, levando as classes dominantes do pequeno país da América Central ao desespero que motivou o ato arbitrário. Felizmente, os tempos são outros. Difíceis de serem entendidos por quem sempre teve as forças armadas como fulcro para mudar o rumo político a seu bel-prazer . A Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o golpe, assim como todos os países do continente. Os golpistas estão isolados, e certamente terão que recuar. Não existe mais clima político para os gorilas que na época da guerra fria rasgavam constituições. Como disse no início do texto, cirscunspecto, fiquei a observar a postura da imprensa brasileira no caso. Mais uma vez foi completamente parcial, deixando de lado o bom senso e ideologizando a questão. Teve jornal na Bahia que esperou pra ver que posição os Estados Unidos da América iam tomar, para então escrever o editorial condenando o golpe, ainda assim criando um paralelo com a tentativa do golpe articulado em 1992 na Venezuela, quando militares nacionalista, liderados pelo então tenente-coronel Hugo Chávez, tentaram derrubar o corrupto governo de Carlos Andrés Pérez. Não bastasse a impropriedade do exemplo, as motivações nos dois casos foram completamente díspares. Agora é manifestar toda a solidariedade aos irmãos hondurenhos para que a ordem constitucional volte a dominar no país.

Recortes do 2 de Julho










"Nunca mais, nunca mais o despotismo
Regerá nossa ações

Com tiranos não combinam
brasileiros, brasileiros corações"

sexta-feira, junho 26, 2009

Black or White- Cachoeira e Michael Jackson





Enquanto eu estava na cidade de Cachoeira participando das comemorações em homenagem às lutas da independência da Bahia, fiquei sabendo que o cantor pop Michael Jackson tinha morrido. Juro que eu não senti nada. Nenhum lamento brotou do meu ser. Nenhum sentimento de saudade ou perda manifestou-se com a morte dele. Nada posso fazer se me preocupa mais a extinção do mico-leão-de-cara-dourada que a morte de Michael Jackson. A vida é assim. Talvez o fato de eu estar em uma cidade onde os negros sentem orgulho de sua negritude e nunca quiseram branquear a pele, e sim serem respeitados como seres humanos, e desfrutarem dos mesmos direitos de um branco, tenha contribuido para potencializar minha indiferença. Rendo minhas homenagens ao povo de Cachoeira. Acima, alguns momentos da festa.