
O Jornal Folha de São Paulo inventou uma fórmula cínica para medir a ferocidade das ditaduras no mundo. O medidor foi apresentado em um editorial que chamou a ditadura militar, que desgovernou o país e matou adversários usando os piores métodos, de "Ditabranda" . Desconfio, não, tenho certeza que o jornal está tentando desculpar-se, minimizando a barbaridade cometida pelos militares no período em que estiveram no poder. Porque desculpando-se?. Ora, porque a Folha de São Paulo (atenção incautos) emprestava carros do jornal para conduzir presos de quartéis para os centros de tortutras, como o DOI-CODI, por exemplo. A historiadora Beatriz Kushnir lançou um livro com o título "Cães de Guarda-jornalistas e censores do AI 5 à constituição de 1989" que desvenda os laços estreitos entre jornais e jornalistas à serviço da sangrenta ditadura. No livro, a autora narra o caso (entre outros) de um garoto de 16 anos que foi preso junto com o pai e pôde testemunhar a colaboração do jornal Folha de São Paulo com os milicos torturadores. Daí a tentativa de menoscabar os adversários da ditadura e tenazes seres humanos que querem a abertura dos arquivos que só irão contribuir para o fortalecimento da democracia brasileira. Os "pés de barro" da Folha de São Paulo, como se vê, continuam deixando rastros e colaborando com a Ditadura Militar. Em vez de condenar todas as ditaduras no mundo, ela, a Folha, ideologiza a discussão numa tentativa vã de desculpar-se, relativizando os horrores do recente período negro da história do país. Acima, uma foto do jornalista Wladimir Herzog, morto sob torturas por não querer colaborar com a "Ditabranda" da Folha.